Proteger a floresta antes de restaurar é a estratégia mais inteligente
Fonte: Um Só Planeta (O Globo / Valor Econômico)
Autores: Janaina Dallan, Presidente da Carbonext
Imagem: Floresta de pé: iniciativas ESG e pagamento por serviços ambientais contribuem para a preservação. — Foto: Pexels
Uma nova pesquisa publicada na revista Science traz evidências importantes para uma discussão que deveria estar no centro das políticas climáticas e da alocação de recursos para soluções baseadas na natureza: proteger a floresta oferece uma relação custo-benefício melhor para o clima e a biodiversidade por unidade de recurso investido do que tentar reconstruí-la depois de perdida. A conclusão parece intuitiva. Agora temos evidências robustas para quantificá-la.
O estudo, publicado em 17 de setembro, foi liderado por Leonardo Miranda, pesquisador do Lancaster Environment Centre, da Lancaster University, e reúne 19 pesquisadores de instituições do Brasil, Reino Unido, Suécia, Austrália e Estados Unidos. Entre eles estão James Thomson, do Arthur Rylah Institute for Environmental Research; Joice Ferreira, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental; Toby Gardner, do Stockholm Environment Institute; e Jos Barlow, professor de Ciência da Conservação da Lancaster University e autor sênior do trabalho.
A dimensão da análise merece atenção. Os pesquisadores estudaram mais de 3 milhões de hectares nas regiões de Santarém e Paragominas, no Pará, onde são desenvolvidos projetos privados de REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal). Eles acompanharam mudanças ocorridas entre 2010 e 2020. Combinaram imagens de satélite de alta resolução com dados de 381 transectos (faixas de amostragem) de campo, distribuídos por 38 microbacias e 499 propriedades rurais. Modelaram ainda a distribuição de 160 espécies de aves e 426 de árvores. É uma base excepcional para comparar, no mesmo território, benefícios climáticos, biodiversidade e custos.
Foram examinadas três estratégias: impedir o desmatamento; impedir a degradação da floresta que permanece em pé, principalmente por incêndios e exploração seletiva; e restaurar áreas agrícolas anteriormente desmatadas.
A conclusão central é inequívoca. As medidas de prevenção produziram os maiores benefícios e foram mais custo-efetivas do que a restauração. Evitar a degradação apresentou os maiores ganhos para a biodiversidade e foi quase tão importante quanto evitar o desmatamento para preservar estoques de carbono.