O mercado se move pós-COP30: por que a implementação não vai esperar

Fonte: Um Só Planeta (O Globo/Valor Econômico)
Autor: Janaina Dallan, engenheira florestal e co-CEO da Carbonext
Imagem: Marcio Nagano / Divulgação Carbonext

Belém deixou um recado nítido: saímos da etapa de discutir regras para a etapa de comprovar resultados. A COP30 consolidou um mínimo denominador comum no Artigo 6 do Acordo de Paris e encerrou pendências que ainda amarravam decisões de investimento. No 6.2, os países ganharam mais clareza sobre reporte e contabilidade de trocas; no 6.4, o caminho de trabalho do órgão supervisor foi reafirmado; e o antigo MDL, herança de Kyoto, entrou em fase final de transição. Não foi a conferência das grandes manchetes, mas foi a conferência que colocou a engrenagem para rodar — técnica, burocrática, porém fundamental.

Ao mesmo tempo, fora das salas de negociação, a mensagem foi pragmática: integridade e implementação viraram a nova língua franca entre governos, empresas e financiadores. Coalizões se articularam, novas parcerias apareceram e o capital privado sinalizou apetite — especialmente para projetos baseados natureza — desde que as salvaguardas sociais, a transparência de dados e o MRV digital não sejam promessa, mas prática. Em linguagem simples: quem mede bem, governa bem e presta contas de verdade passou para a frente da fila. Caminhando pela Green Zone, essa mudança era visível — espaços cheios, debates de pé no corredor, e uma presença marcante da sociedade civil, com organizações locais e líderes comunitários pressionando, com razão, por resultados concretos.