Natureza e mercado: uma oportunidade para o novo governo

Fonte: Um Só Planeta (O Globo / Valor Econômico)
Autores: Janaina Dallan, Presidente da Carbonext 
Imagem: Brasil deveria assumir as soluções baseadas na natureza como um dos pilares de sua estratégia climática e econômica — Foto: Getty Images

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sob o peso das dificuldades fiscais, somada a um Congresso de perfil mais amigável aos negócios, abre espaço para maior protagonismo da iniciativa privada, redução do peso do Estado na economia e criação de um ambiente mais favorável ao investimento.

Durante muito tempo, a conservação ambiental foi apresentada ao produtor rural principalmente como custo. Reserva Legal. Área de Preservação Permanente. Licenciamento. Restrições de uso.

Esses instrumentos continuam sendo fundamentais. Mas existe uma segunda dimensão que precisamos desenvolver: a remuneração de quem entrega resultados ambientais adicionais.

A floresta regula o clima, protege água e biodiversidade. E, quando uma atividade demonstra, por meio de metodologias robustas, que efetivamente evitou emissões que ocorreriam na sua ausência, essa redução pode também gerar créditos de carbono.

O mesmo vale para restauração florestal, manejo sustentável e práticas agrícolas capazes de reduzir emissões ou aumentar a remoção de carbono. O produtor deixa, então, de ser visto apenas como sujeito a obrigações ambientais e passa a ser também fornecedor de serviços climáticos.

Para um governo empenhado em reduzir o desmatamento e ao mesmo tempo elevar a arrecadação, a produtividade e a eficiência geral da economia, essa deveria ser uma agenda natural. Não se trata de colocar produção contra conservação. Trata-se de fazer com que produzir melhor, conservar e restaurar também façam sentido economicamente.