Lições do caso Master: ativo verde não é crédito de carbono
Fonte: Poder360
Autor: Franciele Salvador / Werner Grau
Imagem: Marcio Nagano / Divulgação Carbonext
O noticiário recente sobre o caso Master expôs estruturas que combinam ativos ambientais, instrumentos financeiros e narrativas que, quando analisadas sob a ótica técnica, revelam um problema central: a confusão entre estoque de carbono e crédito de carbono. Essa confusão não é apenas conceitual –ela tem consequências econômicas, regulatórias e reputacionais para todo o mercado ambiental.
Créditos de carbono não representam estoque. Representam fluxo. Cada crédito corresponde a uma tonelada de CO₂ que deixou de ser emitida na atmosfera ou foi removida dela. Essa redução líquida permite que o crédito seja utilizado para compensar emissões. Em termos simples: um processo adiciona CO₂ à atmosfera; outro reduz CO₂ da atmosfera; o crédito representa essa redução.
Já a medição do estoque de carbono descreve apenas quanto carbono está armazenado naquela floresta em determinado momento. Esse dado, isoladamente, não indica que emissões foram evitadas nem que carbono foi removido da atmosfera. Trata-se de um ativo ambiental distinto, com função diferente.