A temporada do fogo está chegando. A capacidade de resposta existe

Fonte: Um Só Planeta (O Globo / Valor Econômico)
Autores: Janaina Dallan, Presidente da Carbonext 
Imagem: Picture alliance/Getty Images

Julho chega e, com ele, o início do período mais crítico para as florestas brasileiras. Entre julho e outubro, a combinação de baixa umidade, ventos secos e práticas agrícolas que ainda dependem do fogo transforma vastas extensões da Amazônia em, literalmente, vários barris de pólvora. Não é novidade. O que ainda é subutilizado é o volume de conhecimento prático, infraestrutura e capacidade de resposta que projetos privados de conservação florestal acumularam nos últimos anos.

Em 2024, o Projeto Ybyrá REDD+, localizado em Paragominas, no Pará, viu 1.300 hectares de floresta serem consumidos por um incêndio que cruzou o limite vindo de uma terra indígena vizinha. O fogo veio de práticas de manejo tradicionais — queima de roças — que, num ano de El Niño, escaparam do controle e encontraram condições perfeitas para se alastrar. Não houve omissão, não houve má-fé. Houve um problema estrutural que nenhum dos lados tinha capacidade suficiente para enfrentar sozinho.