A proteção sustentável da Amazônia depende de zoneamento robusto e abrangente

Fonte: Um Só Planeta (O Globo/Valor Econômico)
Autor: Janaina Dallan, engenheira florestal e presidente da Carbonext
Imagem: Encontro das águas dos rios Negro e Solimões, em Manaus, fenômeno natural que mostra a dinâmica hidrológica da Amazônia e a relação entre rios, clima e urbanização. — Foto: Divulgação/Prefeitura Manaus

A Amazônia precisa de um novo pacto de uso do território. Não um pacto abstrato, mas um arranjo concreto, baseado em evidências, que reconheça as diferentes vocações da floresta, as pressões econômicas reais e o mosaico fundiário que define a região. Um zoneamento inteligente, que combine comando e controle com instrumentos de mercado, pode ser o caminho mais eficaz para conciliar conservação, desenvolvimento e clima.

A Amazônia não é um bloco homogêneo. Aproximadamente um quarto de sua área é composto por terras públicas destinadas (como unidades de conservação), outro quarto por terras públicas não destinadas — as chamadas terras devolutas —, um quarto por áreas privadas e o restante por territórios de comunidades tradicionais e assentamentos.

Esse mosaico exige respostas diferenciadas. A lógica de “uma política única para toda a Amazônia” já se mostrou ineficaz. Em vez disso, é preciso organizar o território a partir de um zoneamento que considere variáveis como pressão de desmatamento, acesso a infraestrutura (especialmente estradas), dinâmica econômica local, presença de comunidades, potencial para geração de créditos de carbono e pagamentos por serviços ambientais.